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O Instituto Ricardo Brennand, em Recife: um castelo medieval em Pernambuco

Recife, Pernambuco, outubro de 2010

Um exemplar da maior coleção de armaduras medievais no Brasil, exposta no museu intitulado "Castelo São João", que juntamente com os outros belíssimos prédios que abrigam a biblioteca e a pinacoteca, integram o Instituto Ricardo Brennand

A entrada do Castelo São João, um dos prédios em estilo gótico medieval do Instituto Ricardo Brennand. O interior do castelo é um fabuloso museu, com armas medievais, esculturas e outras obras de arte européias dos séculos XVI e seguintes

A primeira reação que vem à mente quando se ouve a notícia da existência do "Castelo Brennand" em Recife, é de incredulidade: 
                 _um castelo, no Brasil? No Nordeste, em Recife?

Mas a descrença dura pouco. O Instituto Ricardo Brennand impressiona mesmo os visitantes que já tiveram oportunidade de visitar grandes museus na Europa. 

Guardadas as devidas proporções, os prédios construídos em estilo gótico medieval e os jardins que os cercam abrigam uma coleção permanente de objetos histórico-artísticos de diversas procedências, abrangendo o período que vai da Baixa Idade Média ao Século XX, com forte ênfase na documentação histórica e iconográfica relacionada ao Período Colonial e ao Brasil Holandês, incluindo a maior coleção mundial de pinturas de Frans Post, um dos artistas trazidos ao Brasil por Maurício de Nassau, nobre holandês que liderou a tentativa de ocupação holandesa no Nordeste do Brasil, em 1637.

O Instituto também abriga um dos maiores acervos de armas brancas do mundo, com mais de 3.000 peças, a maior parte proveniente da Europa, Ásia e Oriente Médio, produzidas entre os séculos XIV e XIX. A biblioteca do instituto possui 20.000 volumes, datados do século XVI em diante, com especial ênfase para o período do Brasil Holandês.

Logo na entrada do complexo, a fonte em estilo clássico anuncia um pouco do que há para ser visto no Instituto.

Voltado à preservação da arte e da cultura, o instituto Ricardo Brennand é um complexo com 77.000 metros quadrados, formado pelo Castelo, Biblioteca e Pinacoteca, permeados por jardins, lago e cercados por área de mata atlântica.


Uma das passarelas que leva ao lago é cercada pelo belo pórtico ladeado por leões. Quando tiramos esta foto, uma verdadeira proceissão de cisnes, patos, marrecos e assemelhados posavam após o portão, a caminho da água.

A impressionante coleção de armaduras medievais européias, com destaque para o raro conjunto de cavalo-cavaleiro-com-armadura, do século XVI. 


O acervo contém 27 armaduras completas (incluindo escudos, elmos, manoplas e cotas de malha), produzidas entre os séculos XIV e XVII, além das surpreendentes armaduras para cavalos e cães


A surpreendente armadura para cães


Vista de outro ângulo, a armadura para cães e as demais peças trazem à mente a curiosidade sobre as batalhas medievais. Somos levados a refletir sobre como nos sentiríamos em plena Idade Média, diante de um duelo, disputa ou conflito dessa espécie.


Nos jardins, sempre cuidados de forma impecável, improváveis esculturas negras de ferro ornamentam a paisagem.

Nos jardins laterais da Pinacoteca, a exposição continua em pleno gramado, com esculturas em mármore de diversas épocas e procedências.


Esculturas no jardim lateral da Pinacoteca.

Nos jardins do castelo, imensos rinocerontes e um hipopótamo de ferro pairam com tranquilidade.

Também nos jardins, a intrigante escultura intitulada A dama e o cavalo, de Fernando Botero.

Nascido em Medellín, Colômbia, em 1932, o escultor Fernando Botero celebrizou-se por representar as figuras humanas e animais em formas amplamente rechonchudas. Atualmente, suas obras são destaques em locais públicos e museus no mundo inteiro, como esta no Instituto Ricardo Brennand.


Escultura em um dos fossos do Castelo, que conta ainda com calabouço, portas secretas, vitrais antigos e um altar em estilo gótico. Lá, tudo lembra um verdadeiro castelo, das portas pesadas e tijolos à vista aos portões ornamentados e de cores escuras.

Corredor que leva à exposição de telas de Frans Post. O Instituto possui a maior coleção particular de pinturas do artista holandês do século XVII no brasil.
Frans Post: Cachoeira na floresta, 1657.
"Frans Post foi o primeiro paisagista do Novo Mundo e o Instituto orgulha-se de possuir a maior coleção de suas obras, formada por 15 quadros representativos de todas as fases de seu trabalho. Em torno do Brasil Holandês, está sendo constituída uma grande biblioteca e uma coleção de documentos, mapas e objetos relativos ao período.
Essa é a maneira que encontramos para agradecer e retribuir a Pernambuco e ao Brasil as oportunidades que nos foram dadas para, em mais de 50 anos de árduo e incessante trabalho e também de contínua esperança, desenvolver nossas empresas, construir fábricas, criar empregos e colaborar, enfim, para nosso povo e nosso país.
O Instituto Ricardo Brennand é, pois, a expressão tanto do nosso compromisso com a terra e a gente de Pernambuco e do Brasil quanto de nossa maior gratidão e esperança nas gerações futuras" 


Retrato a óleo do conde holandês Maurício de Nassau, que administrou as terras conquistadas noNordeste do Brasil a partir de 1636.

Moedas e lingotes de ouro e prata da época do Brasil Holandês.

Entre as moedas expostas, chamam atenção os florins quadrados de ouro.

O museu abriga peças imensas de tapeçaria européia do século XVIII, retratando a visão do Novo Mundo perante a Europa.

As imagens da paisagem do Nordeste do Brasil no Século XVII tiveram grande influância sobre certas artes decorativa, especialmente na tapeçaria. Os tapetes expostos foram inspirados em cartelas desenhadas por Albert Eckhout e motivos oriundos das telas de Frans Post. Os desenhos originais foram entregues pelo Príncipe Maurício de Nassau-Siegen ao Rei da França, Luís XIV, em 1678.

Peças de arte barroca do Brasil Colonial, expostas no IRB.

Tela do Pintor Petrus Van Schendel (1806-1870), tão nítida quanto as melhores fotografias atuais.

Piazza di San Marco, em Veneza, retratada na tela de Canaletto.
No acervo do IRB, esculturas originais de Auguste Rodin.


Em constante ampliação, novas alas estão sendo construídas no Instituto.

Cisnes nadam no lago do Instituto Ricardo Brennand.



Esta foto é da primeira visita, em 2006. Em 2010, um ninhal com inúmeras garças podia ser visto nas proximidades do portão.

Júlio e Izaura, outubro de 2010

Um comentário:

Igor de Andrade Lima Pertsew disse...

Bom em primeiro lugar´parabens pelo artigo e um prazer ler sobre este instituto especialmente para mim Pernambucano e Recifense, porem e um pena que um istituto como esse tao rico em obras de arte cometa um verdadeira atrocidade ao expor moedas obsidionais holandesas sem conhecimento nenhum de numismatica, pois todas moedas expostas sao falsificacoes da decada de 70, oque nao tira a beleza do instituto mas demonstra fraco conecimento tecnico na area de numismatica.