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Barco Solar - a barca funerária do Faraó Quéops

Giza, Egito, dezembro de 2010








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Anúncio turístico do Egito, publicado em 1956, na revista National Geographic. Desde milênios atrás, o Egito tem sido destino de turistas gregos, romanos, e mais recentemente de europeus, americanos, ingleses, brasileiros e outros tantos integrantes da nova aldeia global.
Mas as recentes convulsões sociais, que levaram à deposição de Hosni Mubarak, e a dúvida quanto à possivel instalação de um regime totalitário muçulmano ao estilo do que ocorreu década atrás no Irã, trazem sérias dúvidas quanto à conveniência e a segurança em visitar aquela nação a partir do ano de 2011.
Júlio e Izaura, dezembro de 2010

Erro do GPS nos leva ao Zion National Park

Parque Nacional americano de Zion, março 2011

      O Estado de Utah é tão repleto de belezas naturais, que um simples erro no caminho pode levar o viajante a descobrir um magnífico cenário novo, como aconteceu conosco.

      Na realidade, não tínhamos a intenção de passar por Zion, mas um erro no GPS do carro nos levou por uma estrada que, necessariamente, passava dentro do Parque Nacional. O detalhe é que, para prosseguir viagem, tivemos que pagar a entrada ao Parque, no valor total de 50 dólares, um belo e exorbitante pedágio.


A montanha chamada "Tabuleiro de Damas" (Checkerboard Mesa), um dos vários paredões de granito do Zion National Park, no estado americano de Utah, ainda parcialmente recoberto pela neve, no mês de março de 2011. Para mim, a impressionante montanha mais parece uma gigantesca pata de elefante que um tabuleiro de jogo de damas.

Foto ao lado do carro alugado em Salt Lake City, com o qual faríamos um grande círculo em toda a região dos cânions de Utah e Arizona, retornando a Salt Lake City pelo estado de Nevada. Ao sairmos de Kayenta (foto), no Arizona, rumamos para oeste, com destino a Las Vegas, a aproximadamente 640 km de distância, no estado de Nevada. O GPS seria nosso guia, e embora não soubéssemos naquele instante, não era a prova de falhas.
Pouco após percorrermos metade do caminho de Kayenta a Las Vegas, o GPS "equivocou-se" e nos mandou prosseguir por uma estrada que conduzia diretamente à entrada do Zion National Park.

Dentro do parque, uma sinuosa e impecavelmente asfaltada estrada, com ótima sinalização.

Paredões e vegetação de arbustos e coníferas

Paredões em contraste com o céu azul

Um arco inacabado, ainda em formação, lembrando o "vizinho" Arches National Park, a cerca de 300 quilômetros a leste.


Despontando ao fundo do vale, o West Temple (Templo do Oeste), um imenso platô granítico que se eleva a 2000 pés (cerca de 700 m) acima de sua base.

Visível em boa parte da extensão do Parque, o West Temple pode ser fotografado mesmo a partir da janela do carro de visitantes perdidos, como aconteceu conosco.

Folheto entregue na entrada do Parque nacional, após pagamento do ingresso de U$ 25,00.

Continuação do folheto
Júlio e Izaura, março de 2011

O Muro de Berlim - memorial da Bernauer Strasse

Berlim, dezembro de 2010


Na avenida Bernauer Strasse, um dos últimos trechos do Muro de Berlim, mantido em pé como parte de um memorial a um dos trechos mais infames da história européia do Século XX.

A barreira entre "as duas Berlins" do pós-guerra (a Berlim Ocidental - controlada pela França, Inglaterra e Estados Unidos - e a Berlim Oriental, controlada pela União Soviética) começou a ser construída em 1961, como um muro de tijolos e arame farpado. Gradativamente, o muro incorporou acréscimos, com barreiras anti-tanques, corredores patrulhados, guaritas com atiradores, campos minados, fossos e toda espécie de obstáculo que justificaram o apelido de "faixa da morte".

Símbolo da divisão entre ocidente e oriente (capitaneados pelos EUA X URSS, ou Otan X Pacto de Varsóvia) durante as últimas décadas da Guerra Fria, o muro foi construído pelo governo socialista da Alemanha Oriental (subordinada a Moscou), com a finalidade de conter a evasão de moradores para o lado capitalista. Para o governo socialista, a estrutura era uma "muralha de proteção anti-fascista", que durou mais de 28 anos, até o início da derrocada do bloco soviético em 1989.   


No rigoroso inverno do final de 2010, o gelo conserva várias coroas de flores depositadas no memorial às 136 vítimas oficiais do regime socialista alemão, mortas no período desde 1961 até 1989, ao tentar atravessar o muro para o lado ocidental. 

O repentino fechamento da fronteira entre as duas divisões da Alemanha do pós-guerra deu-se na madrugada de 13 de agosto de 1961, quando polícia e exército erigiram a barreira física que imporia dramáticas repercussões pessoais aos moradores de Berlim. Do dia para a noite, pessoas não podiam mais visitar amigos, parentes, filhos, esposas, ou simplesmente transitar pelos caminhos habituais.   

Do dia para a noite, as casas do outro lado da rua tornaram-se parte de outro Regime. Em desespero, inúmeras pessoas tentaram atravessar o muro ao longo dos 28 anos de sua existência. Muitas conseguiram. Outras foram detidas por fuzilamentos sumários. 

No memorial da Bernauer Strasse, alguns trechos do muro foram substituídos por fileiras vazadas de vergalhões metálicos, deixando o visitante com uma certa perplexidade pela grata facilidade com que podemos atravessar a barreira mortal outrora existente.
Ao longo do espaço memorial, placas descrevem o ocorrido com algumas das vítimas naquele trecho.

Placa em memória a Otfried Reck, morto aos 17 anos, em 1962, após tentar atravessar para Berlim Ocidental pelos túneis de ventilação da estação desativada de metrô que anteriormente ligava os dois trechos.
Em 1995, vários anos após a queda do muro, o soldado que o alvejou pelas costas foi julgado pelo  tribunal distrital de Berlim, que o condenou por homicídio, pois os disparos foram efetuados quando a tentativa de fuga já havia falhado, e Otfried já corria de volta, por uma pista de patinação vizinha.  

Ao fundo da paisagem marcada pela cruz posta em memória às vítimas do muro, delineia-se os desenhos e grafites sucessivamente traçados no lado ocidental, como prenúncio da queda da barreira símbolo da Guerra Fria.


Desmontados após a queda do muro, a maioria dos grandes blocos de concreto que o compunham foi demolida ou vendida e até mesmo doada a outros países como forma de disseminar a necessária lembrança permanente de uma das insanidades históricas tão próximas de nosso tempo.
No memorial da Bernauer Strasse, vários blocos foram fincados como lápides no chão. Neles se destaca uma figura, em grafite, de um homem com asas, para o qual um simples muro não seria barreira suficiente.    
A queda do muro pelas lentes da National Geographic, novembro de 1989: Berlim reunida após 28 anos de separação - Pessoas em lágrimas na Potzdamer Platz.

O passo impossível, pela fileira de hastes que marcam o local por onde prosseguia o muro até 1989.






Na visita que fizemos ao memorial, em 24 de dezembro, ficamos com a dúvida: Quem exatamente haveria depositado as flores sobre o chão gelado?








A resposta veio no noticiário semanal alemão: algumas das flores (as amarelas) haviam sido depositadas pelo príncipe britânico Harry, em visita oficial no dia 19


Júlio e Izaura, dezembro de 2010

Esculturas eróticas dos templos de Khajuraho, Madhya Pradesh

Khajuraho, estado indiano de Madhya Pradesh, dezembro de 2005

Localizada a 620 quilômetros a sudeste da capital indiana, a pequena cidade de Khajuraho (खजुराहो) tem o maior conjunto de templos medievais hindus e jainistas, famosos pelas esculturas eróticas e considerados patrimônio histórico da humanidade pela Unesco. Os templos de Khajuraho, com cerca de mil anos de idade, são também relacionados como uma das "sete maravilhas da Índia".

Os magníficos templos de Khajuraho, edificados entre os séculos X e XII dC pelos governantes da etnia Chandela, não contêm imagens eróticas no interior das construções, mas apenas nas paredes externas, muitas delas esculpidas em um detalhadíssimo conjunto, que recobre totalmente as fachadas de pedra dos edifícios.
Atualmente, há diversas teorias que buscam interpretar a profusão de imagens eróticas esculpidas nas paredes externas dos templos Chandela de Khajuraho. Uma delas conclui: as pessoas que buscam a divindade, devem deixar sua sexualidade e desejos fora dos templos. É possível que os templos tenham sido edificados para cultuadores de rituais tântricos da época.
Divindades, bacantes e rostos com evidente pudor intercalam-se numa grande orgia de esculturas sobre o arenito alaranjado dos templos Chandela.

ANO NOVO 2005-2006: longe de tudo, na pequena cidade de Khajuraho, com seus parcos 20.000 habitantes, passei o ano novo isolado de qualquer sinal próximo aos que se vê nas comemorações no ocidente. A única movimentação de visitantes se devia à iminente realização das festividades em homenagem a Shiva. Excetuando-se os templos, não há nada notável em Khajuraho, onde se vê a mesma miséria extrema da Índia cotidiana, onde pessoas disputam comida com vacas em plena rua.
Apesar dos percalços e dos riscos à saúde (principalmente do sistema respiratório em razão da grossa e constante poeira, e do sistema digestivo em razão dos quitutes indianos de higiene discutível), Khajuraho vale a visita, ao menos para aqueles que prezam conhecer outros mundos, quase alienígenas, tamanha a diferença cultural e a desumana miséria que não abala a vida de seus pragmáticos e resignados habitantes.
Visitantes indianos caminham entre alguns dos templos de Khajuraho. Em razão da procura da cidade pelos visitantes do mundo inteiro, a maior parte dos templos foi cercada, neles se permitindo somente a visitação turística, e não mais a realização dos rituais hindus e jainistas de outrora. Sem dúvida, essa é uma providência que permite a melhor preservação dos templos milenares, poupados dos passos incessantes dos fiéis nos rituais religiosos.




Do lado de fora da área cercada, um templo de Khajuraho ainda permite a realização dos rituais Hindus, pelas hordas incessantes que sobem e descem as escadarias, permanentemente molhadas de óleos, perfumes, incenso, comida e oferendas.

Fotos feitas com uma pitada de covardia: tirei essas fotos com teleobjetiva, enquanto observava a multidão a partir de uma distância que me pareceu "segura". O que me desencorajou a subir no templo foram os homens descalços, sem camisa e aparentemente "besuntados" de algum tipo de óleo cerimonial. Temendo pelo contato excessivamente próximo com a multidão e com suas prováveis oferendas líquidas e pegajosas, permaneci ao longe, condenado a desconhecer eternamente o significado dos gritos eufóricos que transbordavam do templo.
A mulher e o leão mítico (Vyala) na plataforma de um dos templos.
A escultura vista de outro ângulo, com o templo ao fundo.
Vistos à distância, os templos lembraram-me formas assemelhadas a naves extraterrestres, dignas de filmes de ficção ao estilo Predador. Sem dúvida, o povo Chandela desenvolveu um senso estético único, mil anos atrás, ao criar edifícios assemelhados a ojivas decoradas com seres humanos em plena ação, muitas vezes sexual.
O incrível rendilhado de pedra que adorna as fachadas dos templos de Khajuraho.
Algumas das fachadas de pedra ostentam nichos, com divindades e agregados.

Alheio à deselegância de seu abdomem exagerado, o deus Ganesh posa em passo de dança em outro nicho esculpido no arenito indiano.


Júlio César, ano novo 2005-2006

Ventisquero Negro, a geleira escura da Patagônia Norte

Cerro Tronador, Patagônia Argentina Norte, dezembro de 2009

Icebergs de gelo negro. Na base da grande montanha de 3.491 metros, conhecida como Cerro Tronador, uma geleira destaca-se pela coloração escura de seus blocos de gelo, tingidos pela poeira incessantemente carregada pelo vento nos meses de verão.

Montanhas de gelo com sucessivas estrias em branco e preto. As camadas brancas e negras dos blocos de gelo do Glaciar Ventisquero Negro evidenciam os meses de inverno (camadas brancas, devidas à predominância da queda de neve em todo o terreno) e verão (camadas escuras, formadas pelo depósito de detritos soprados pelo vento, no período livre de neve) ao longo dos anos.

O Glaciar Ventisquero Negro, na fronteira entre Chile e Argentina, localiza-se dentro da área do Parque Nacional Nahuel Huapí, e tem como base ideal a cidade de San Carlos de Bariloche.

O Ventisquero Negro é alimentado pelas constantes avalanches do glaciar Rio Manso, 700 metros acima. O Cerro Tronador abriga ainda diversos outros glaciares, como o Frías, Alerces, Castaño Overo, Peulla, Casa Pangue e Rio Blanco.

Do alto dos glaciares alimentados no cume do Cerro Tronador, descem cascatas de água de degelo, no mês de dezembro, em pleno verão na Patagônia Norte.
"Suspiros" de gelo sujo. No glaciar Ventisquero Negro - que difere radicalmente dos glaciares de gelo "branco imaculado", como o Perito Moreno, Spegazzini e Upsala - a superfície que parece rocha é, na verdade, um grosso substrato de gelo recoberto por uma camada de pedras roladas do alto da montanha e da poeira levada pelo incessante vento do verão.
Os blocos de gelo escuro boiando no lago de degelo do glaciar, com o Cerro Tronador ao fundo.

Pináculos de gelo escuro, de formas quase fálicas, no glaciar.

As flores do verão, às margens do lago de degelo do glaciar.
Rocha abandonada. Levada até essa posição pelo avanço da geleira, essa é uma das inúmeras rochas isoladas em posições inusitadas após o derretimento das franjas do glaciar, nos meses de verão.
Com o imponente Cerro Tronador ao fundo, aprecio o ar gelado às margens do glaciar Ventisquero Negro.

Província de Rio Negro, Argentina, Dezembro de 2009